Outro ângulo

Conhecendo o centro de Oakville

O centro de Oakville não é exatamente no centro da cidade, mas sim, perto da margem do Lake Ontario. Foi um dia gostoso, um domingo tranquilo com o início dos ventos mais frios do outono, mas ainda sim, fazendo uma brisa deliciosa.

Oakville é uma cidade um pouco mais “high class”, então as lojas não são para qualquer bico, tomamos sorvete (massa, onde “1 scoop”, que sera 1 colherada equivale a duas e meia!, são as medidas canadenses).

Depois, um passeio no parque e no pier. Algumas fotos para degustar.

Exame médico: Como anda sua saúde?

Baseado em vários fatores obscuros, o Canadá assim como quase todos os países desenvolvidos tem o Brasil como um país de risco em se falar de tuberculose, HIV e outras doenças graves.

Tendo isso em premissa, tirando os vistos de residência temporária inferiores a 6 meses, praticamente todos os outros vistos que geralmente podemos usar exigem que façamos uma triagem médica. Existe uma resolução de um órgão chamado “Canadian HIV/AIDS Legal Network” que pede o Brasil, assim como vários outros países, esse exame.

Eu fiz meu exame em São Paulo, que tem uma certa abundância de consultórios. Mas meu amigo que mora em Aracajú/SE não conseguiu achar alguém, e precisou ir até Salvador/BA para fazer.

O exame é bem simples, e no mesmo dia fiz todos os passos. Após marcada a consulta, você deverá trazer os formulários e fotos pedidas por eles. O escritório do médico é quem enviará os exames, você não poderá ter acesso a eles.

O exame consistia em: Um exame de urina, coletado no próprio consultório, provavelmente para saber se tenho diabetes. Depois uma triagem básica: medir altura, peso e responder uma série de questões para o médico no formato Sim/Não. Após isso, fui com uma receita médica para fazer os exames laboriais, fui no Laboratório Lavousier (nestes exames, você consegue usar o plano de saúde, mas os médicos em si, eu nunca vi aceitarem).

O exame no laboratório é a coleta de sangue para exame de VIH/HIV, e uma chapa do tórax. A chapa é a parte mais complexa, pois meu amigo, o mesmo de Aracajú, teve que voltar novamente para Salvador para refazer a chapa pois ela ficou desfocada e o CIC recusou, atrasando o processo dele. Então seja bastante exigente com a sua chapa.

Tirando o fato da chapa, se tiver algum problema imediato com seus exames, o médico irá entrar em contato, senão considere seus exames OK, e aguardar para o próximo passo da imigração.

IMPORTANTE: Não faça os exames ANTES do CIC pedir. Pode parecer bobeira, mas todo o processo gira em torno da data que esse exame é feito. A partir do dia que fizer o exame com o limite de 1 ano, o seu visto tem que estar pronto, e você ENTRANDO no Canadá. Não vale a pena se adiantar, relaxe.

Para pedidos processados no Brasil, o tempo é de 14 meses. O meu foi processado em Ottawa, levou 16 meses. Entre o exame médico, e o dia que chegou meu visto, foram 4 meses.

IMPORTANTE TAMBÉM: Evite picaretagem, apenas faça exames nos médicos listados no site do CIC.

Se fizer em outro, você corre o sério risco de perder dinheiro, tempo e ter seu processo atrasado.

Qualquer coisa é só perguntar pessoal ;)

IELTS, como é esta prova?

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Como dito anteriormente, para conseguir imgirar para o Canadá, independente se você está indo pelo processo nacional, ou pelo CEC (Canadian Experienced Class), você deve passar pelo exame de proeficiência em inglês. No site do CIC, você pode conferir quais exames são aceitos. Note que este link é para a categoria CEC, mas acredito piamente que o mesmo se aplica para outras categorias.

Eu não tinha nenhum critério para escolher qual dos dois (CELPIP e IELTS) eu iria fazer, optei pelo mais conhecido, e o qual me daria melhor qualificação em universidades canadenses, que aceitam o TOEFL e o IELTS.

Para imigrar, eu fiz o IELTS “General Training”, pois tem também o Academic. Aparentemente o Academic é mais exigente, mas o manual do CEC foi bem claro que será só aceito o General (eu não tenho nada a reclamar) =)

Eu fiz o exame ainda no Canadá, no final de 2011, mas sei que ele não difere entre os países. O exame é dividido em 4 partes, vou descrever como foi minha experiência em cada uma delas.

Ao chegar no dia do exame, minha sala e minha cadeira já estava com meu nome. No meu caso, não podia escolher onde sentar. Após uma dupla-checagem de identidade, pude pegar meu lugar e esperar pela prova. Não podiamos usar agasalho, coletes, ou qualquer coisa de manga comprida, se estiver usando, deverá tirar.

O exame começa simultaneamente em todas as salas, o examinador entregará a folha de respostas, e a prova ainda fechada, pedindo para não abrir.

Havia caixas de som em todas as salas, ligadas em um sistema único. A prova ia ser conduzida por uma gravação. Os fiscais iam apenas assegurar que não tenhamos dúvidas ou haja trapassas.

O auto-falante me deu as primeiras instruções, e a gravação mesmo pediu que eu pudesse abrir a folha de provas. A primeira questão era fake, e a gravação disse que ia simular essa questão para nos habituar-mos.

Listening

Após isso, a gravação cessou, e um diálogo também gravado iniciou-se. Como uma conversa casual no transito, com som ambiente e tudo. Houve 4 diálogos diferentes, com diferentes sotaques, alguns mais americanizados, outros mais britânicos. Um dos diálogos no meu caso, se deu simulando uma conversa telefônica, com a dificuldade de entender de um telefone. A cada diálogo, há uma pausa para podermos responder perguntas sobre o que foi conversado.

Um exemplo de pergunta que posso ilustrar, é sobre uma noiva conversando com a mãe sobre detalhes da festa de casamento dela. Após considerar diferentes buffets, ela conclui que queria o mais barato mas com bebida. Nas opções, você deve pensar um pouco, não existe a opção “Buffet Saint Eddille, plus drinks!”, há buffets mais baratos, mas sem bebida, então você deve de fato entender o que se conversou, e escolher a opção correta.

Alguns casos, pede-se que escreva a opção em uma lacuna, então podemos ter mistas de opções e lacunas para preencher na folha de resposta.

Reading

Três textos foram dados para ler. No meu caso, um texto que ocupava a página toda, um que parecia ser um recorte de jornal, e um médio. Todos são de fontes conhecidas, como jornais e revistas. As perguntas no entando são mais complicadas. Metade das respostas você consegue fazer um scanning no texto e achar as palavras chaves e pegar a resposta. Mas em alguns casos, entender o texto para falar por exemplo, quem foi o primo de Isaac Newton.

Pela minha experiencia, eu sugiro ler as perguntas antes de ler o texto, pois pelo menos você poderá aproveitar mais e ficar menos ancioso.

Writting

Um pequeno recorte de jornal foi dado, e a partir desse recorte, a prova pede que escreva uma dissertação. Há um limite mínimo e máximo de linhas. Fica bem claro que você será forçado, no tema, a usar o presente, o passado e o futuro. Eles querem que você prove mesmo que sabe.

Será corrigido várias coisas, como uma redação normal, além da adequação ao tema, que no meu caso, foi o avanço da medicina versus os problemas que isso pode gerar nos países mais pobres.

Conversation

Essa é a parte que mais deixa as pessoas curiosas e com medo. A prova escrita terminou por volta de meio-dia, onde todos podem sair para almoçar. Antes de saír, você recebe uma senha com o horário para você voltar de tarde, pois as avaliações de conversação são individuais e privadas.

Quando fui fazer a minha, era 15:30, houve um leve atraso de 15min. Entrei, havia só 2 cadeiras e uma mesa na sala, sentei-me de frente para o avaliador, ele disse boa tarde para mim e perguntou se podiamos começar.

Ele ligou um gravador e colocou na mesa, e disse para o gravador a data, hora, meu nome e meu código de inscrição. Logo em seguida, ele procedeu perguntando meu nome, (eu respondi), perguntou se podia me chamar apenas de Neto, (assenti), e seguiu fazendo várias perguntas casuais da minha vida não-tão-particular, se eu tenho irmãs, se ela é mais velha, de que país venho.

Logo em seguida, ele entrou em assuntos específicos e aleatórios, que aparentemente ele seguia com um livreto para evitar que na saída eu comente o que ele falou, garantindo que as conversas fossem sempre diferentes.

Ele fez afirmações sobre fatos do passado e pedia minha opinião, fez afirmações de fatos presentes e perguntou minha opinião. E por fim, afirmações sore o futuro, que eu me lembro ter algo a ver sobre como na minha opinião seria o mundo se houvesse teletransportes e viagem no tempo.

A conversa é bem leve, suave e até interessante, confesso que queria conversar mais com ele :) . Essa parte durou 15min.

As notas

Após algumas semanas pude consultar minha nota pelo website e ir buscar minha cópia. Tirei média 7! A redação me prejudicou bastante, mas a conversação me salvou!

Em situações normais, eles te dão apenas uma cópia e a outra eles enviam direto para a universidade ou órgão solicitante, mas no caso do CIC, eles não querem receber o IELTS por correio, deve ir junto da sua application. O IELTS está ciente disso, e neste caso, eles lhe darão a sua cópia e a do CIC. Você deverá sair com duas.

Para saber onde fazer o IELTS, basta consultar a base deles. No menu de seleção à direita do site.

A História Recomeça: Imigrando para o Canadá

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Antes de mais nada é bom dar um breve update em todos, já que desde 2010 nenhuma informação foi postada. Há motivos para isso, mas não há o que temer, há coisas interessantes que aconteceram nesse meio tempo que decidi atualizar a todos que se interessem por meio de flashbacks de futuros posts neste blog.

Como deve ter reparado, caso tenha lido os outros posts, eu imigrei para o Canadá como um Skilled Worker. Esta forma de imigrar não é definitiva como vemos em todos os blogs de imigração para o Canadá, Nova Zelândia, Austrália ou Inglaterra que vemos pela internet. Existe uma diferença considerável entre um visto de trabalho/estudo e um visto permanente. O meu, que adquiri em 2009 foi de trabalho.

Mas as coisas mudaram! Mas antes de entrar nas novidades, vamos para um flashback em forma de FAQ:

Onde você está agora??
- Estou em São Paulo, capital.

Você trabalhou no Canadá?
- Sim! Trabalhei entre dezembro de 2009 e janeiro de 2012

Por quê você voltou?
- O visto de trabalho tem limites, e além do limite atual de 3 anos, depende da empresa que faz o sponsoring (que foi o meu caso), dar continuidade.

O que é um visto de trabalho com sponsoring?
- É um visto de residencia temporária, de múltiplas entradas (o visto de turista permite a você entrar uma vez só no Canadá), que tem um prazo variável entre 1 e 3 anos. Este visto lhe permite viajar quantas vezes quiser para dentro e fora do país. Mas ele está condicionado às seguintes restrições: Você deve trabalhar apenas para aquela empresa, que deverá ser apenas naquela cidade da província, deverá exercer apenas o cargo estipulado no visto (no meu caso, Software Engineer) e deverei sair do Canadá se a empresa ou eu resolver terminar o contrato de trabalho ou o prazo definido pelo CIC (Citizenship and Immigration Canada) expirar.

Qual foi o seu prazo?
- Foi de 1 ano, mas a empresa renovou (pedir literalmente outro visto) 2 vezes. Mas eu saí da empresa antes do fim da terceira renovação, pois queria voltar ao Brasil e iniciar a jornada rumo ao visto permanente.

Este visto permanente, esse é o de imigração?
- Sim! Esse é o que todos falam nos blogs de imigração para o Canadá :) E aqui a história começa novamente.

Em janeiro de 2012 eu retornei ao Brasil após pedir a dispensa na empresa canadense que eu trabalhava, pois almejava meu visto de Residência Permanente. Mas o motivo disso tudo é que eu agora me encaixava no CEC (Canadian Experienced Class), uma modalidade de visto que flexibiliza a vida de quem já tem 2 anos de experiência no Canadá, e deseja ter sua residência permanente.

Esta modalidade pula alguns crivos que a Imigração Nacional via Skilled Worker impõe, como cotas de emprego NOC (Canadian National Occupational Classification), entre outros critérios de eligibilidade. Os seguintes critérios são exigidos:

  • Ter 12 meses completos de Skilled Worker nas ocupações de NOC tipo 0, A e B, trabalhando em regime integral (30 horas semanais no mínimo)
  • Ser aprovado no nível de inglês ou francês referente ao seu NOC, que no meu caso, é média 7, com mínimo de 6 para cada uma das 4 modalidades. Não importa se você morou 99 anos no Canadá, vai precisar fazer o teste de proeficiência na língua.
  • Ser aprovado no exame médico. Alguns países de alto risto de HIV e tuberculose (?) como o Brasil precisa passar no crivo médico. Você precisará passar no exame de sangue e ter a chapa do pulmão aprovada.
  • Planejar viver fora da província de Quebec

Você também pode consultar a página de coisas que o impedem de entrar nessa categoria no site do CIC.

Os próximos posts então vou detalhar cada um dos passos, desde a minha mudança de volta para São Paulo, passando por todas as etapas do processo de imigração na categoria Canadian Experienced Class!

Na barra ao lado, há os Blogs Interessantes, se você estiver imigrando para o Canadá em qualquer categoria, eu gostaria de cita-lo, afinal, sua história é interessante também, e é valiosa para todos que planejam imigrar também :)

Caso queiram que eu comente alguma coisa específica, é só falar!

Camping em Rockwood – Canadá

Faz muito tempo que eu não atualizo meu blog, então resolvi, por pedidos (amo todos vocês!) voltar a postar :)

Não vão ser muitos posts, pois já sabem que estou numa rotina, o fatídico destino do ser humano: Mudar -> Estabilizar -> Estabelecer rotina, até mudar denovo.

Mas sempre acontece algumas coisas fora de rotina, e essas coisas vou estar contando aqui :) . Os primeiros posts serão mais frequêntes pois estou com várias coisinhas estocadas para contar, então vou começar da mais recente de todas para abrir com chave de ouro:

Esse fim de semana que passou (10 e 11 de julho) fui acampar com 3 colegas de trabalho + alguns amigos de um desses meus colegas (total de 9 campistas). O local fica a 40min de Toronto, chama-se Rockwood.

Com todas as coisas clichês de camping norte-americano, levaram uma fogareiro, fizeram salsichas, passeamos de canoa por um lago/rio muito bonito que tinha por lá, assamos marshmallows na fogueira enquanto jogavamos um jogo ao estilo detetive.

No dia seguinte, um pouco de trilha. Como tinhamos que sair do local reservado ao meio-dia, o segundo dia foi mais corrido mesmo. Mas o que importa é que eu conheci um alemão super conversador (Joram), onde altos papos sobre diferenças culturais entre Brasil/Canadá/Alemanha rolaram.

Ele viveu 1 ano na Austrália e garantiu que o local lá é muito mais cultural que o quintal dos EUA (Canadá), estou planejando em 2013 um passeio de 1 mês na Austrália :) , espero que os planos dêem certo.

Abaixo algumas fotos. Eu apareci em uma (atrás das árvores), e em uma outra deixei para vocês apenas um pedaço de minhas lindas pernas à esquerda :)

Empresa Grande x Empresa Pequena

Vamos somar:

1. Você muda de país: você tem uma barreira cultural a superar.
 
2. Você muda de país, que fala outro idioma: Além da cultural, agora vem a barreira da comunicação, você não se expressa mais igual.
 
3. Você muda de país, que fala outro idioma e passa a trabalhar em uma empresa pequena, quando acostumado com uma grande: Cultural e comunicação, agora tem a política empresarial nova.
 
Eu sempre trabalhei em empresas enormes como a BM&F Bovespa e a Editora Abril com seus lá 7 mil funcionários. E então mudo de país, de idioma e de filosofia de empresa. E agora? Como num jogo de RPG, acabei aceitando 3 quests diferentes para resolver ao mesmo tempo, mas diferente desses jogos como o WoW, a vida real costuma ser mais sádica :)
 
Há pessoas que gostam de empresas pequenas e outras não, e conversando com um amigo meu que sempre trabalhou em empresas com 40 funcionários mais ou menos, extraí os melhores e piores momentos de empresas grandes e pequenas:
 
Empresas Grandes tem Processos bem definidos
Você é uma pessoa que detesta bagunça, gosta de chegar numa empresa e ver que ela é uma máquina linda com suas engrenagens girando e está lá um lugar para você ocupar e fazer parte dessa grande máquina, sem stress (com o que fazer agora?). Mas querer altera-las, é mais fácil traduzir a bíblia para o idioma dos Na'Vi de Pandora.
 
Empresas Pequenas tem Processos simplórios, mas flexíveis
Se você gosta de melhorar processos existentes para melhorar a forma como você trabalha naquela empresa pode ser uma vantagem, pois facilmente com uma ou duas reuniões e algumas semanas madurando, uma sugestão sua pode ser incluída no processo da empresa (de desenvolvimento, no meu caso). Entretanto, durante essa fase, você pode sofrer demais com um processo mal feito que prejudica exatamente você, E MAIS NINGUÉM!
 
Empresas Grandes tem Plano de Carreira
Quer virar coordenador, depois chefe depois gerente? OK! É só entrar na Intranet da empresa e baixar um XLS específico (ex: F-523-DEV.xls) com um nome que você só interpreta depois de 4 mêses de casa, vê como faz e começa a brincar, um dia (anos) as coisa acontece.
 
Empresas Pequenas trabalham como Dinastias
Ainda bem que não são castas, então você pode um dia virar chefe, mas isso vai acontecer só de três formas: 1) Se o seu atual chefe sair, 2) se a empresa crescer e abrir um novo departamento, 3) Se ficar do mesmo tamanho, mas o processo (flexível) exigiu um departamento novo.
 
Empresas Grandes, o presidente é fábula
Já apertou a mão do presidente da sua empresa grande? Já tomou café com ele? E em alguns casos: Já viu ele? Não é de cera ou um robô? Quanto maior a empresa, mais distânte o presidente e maior o númeo de layers (de superiores seus) até ele.
 
Empresas Pequenas, o presidente até programa!
Geralmente não, mas supondo uma empresa de tecnologia (que é o meu caso) o presidente já programou algum sistema que você hoje dá manutenção ou já mudou tudo porque tava tudo errado :)
 
Empresa Grande tem Hierarquia
Os organogramas de uma empresa grande parecem até um Projeto Genoma, mas acalme-se, para saber onde você está, basta olhar na região do rodapé.
 
Empresa Pequena tem Euquipe
Você cuida do seu próprio sistema? Você fez tudo: Criou a base, levantou a parede, colocou o telhado e pintou a casa? É, você está em uma empresa pequena.
 
E por fim:
 
Empresa no fim é empresa
Você fez ou participou do desenvolvimento e o cara que inventou o sistema/chefe leva os créditos? Tudo bem, isso é em qualquer empresa, não precisa escolher :)
 
 
Agora qual é a melhor para trabalhar? Isso é com você, não existe melhor ou pior, existe o modelo que você gosta. Quer se aventurar em um novo modelo de empresa? Altamente recomendado! MAS POR FAVOR, não pegue 3 quests de uma só vez, e um feliz 2010 para você!

Dificuldades fazem parte na vida do imigrante

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Todo mundo pensa que quando muda de país de primeiro mundo, vai para uma vida melhor. Bom, isso com certeza é verdade mas todos devem ter em mente que o começo é péssimo. Se não fosse o Omar meu amigo me ajudando com certeza estaria com muito mais dificuldades em relação a moradia, alimentação e transporte.

Estou com $60 dólares e preciso sobreviver com eles até o dia 15 de Dezembro agora, meu primeiro pagamento. Por quê isso? Bom, eu troquei uma quantidade X de reais no Brasil antes de viajar para cá, mas esse dinheiro vai que nem água. Não estou passando dificuldade (lembrem-se do que falei do Omar) e até poderia ter trazido mais dinheiro, mas a questão é: Quando vem do Brasil, todo o custo fica em DOBRO, pois nossa moeda vale um pouco mais da metade que o dólar.

O cartão de crédito é indispensável para quem está fazendo essa transição, pois quando você começa sua vida em outro país mas quer deixar seu dinheiro quietinho no Brasil, você começa o jogo literalmente com “Zero”. E vira-e-meche você precisa comprar algo emergencial, no meu caso um casaco de inverno, pois dia 2 já vai nevar!

A dica de hoje é:

  •  Se você vai se mudar, lembre-se de trazer seu cartão de crédito, você VAI precisar. O startup da vida em outro país também tem custo, pois você é um “nada” até ter seu seguro social (INSS), sua linha de telefone e um endereço (nem que seja um quarto alugado).
  • Traga uns dólares trocados no câmbio antes de embarcar. É importante para despesas menores do dia a dia, como comprar passe de ônibus, uma comida ali outra aqui, pois nem todos os lugares aceitam crédito.
  • Quantidade? No mínimo 150 dólares se você tem quem ajuda-lo, senão cogite em trazer $500 ou mais. Você só tem você mesmo quando está sozinho.
  • Pague tudo que deve quando tiver dinheiro. A famosa frase: “Sei que devo e pago quando der”, e vai dar no dia que você receber seu salário. Mas claro, não fique desacobertado, senão você vai voltar a estaca zero. Faça um cálculo do que você gasta, e o que sobrar, pague as dívidas com amigos e parentes.
  • Fedeu! Você TEM que ter dinheiro no Brasil, afinal lá e o porto seguro enquanto você está no exterior sem bons alicerces. Se der zica, use sem dó o dinheiro no Brasil (mas não esgote ele) e fortaleça seus alicerces no exterior, com certeza você consegue reparar os danos a curto prazo usando o dinheiro que vale o DOBRO do Brasil :)

Sem dúvida, essa dificuldade é geral, começar uma vida com Zero dólares na conta do banco e dormindo em um sofá parece dura, mas estar sendo ajudado por um amigo com um teto e protegido do inverno certamente é de causar inveja em muitas pessoas na mesma situação.

E começa a vida no Canadá!

Começar uma vida nova pode ser o sonho de muita gente, mas não o faz por não querer sair da Zona de Conforto. Eu saí, não foi fácil fechar a casa, separar o que você leva e o que você deixa para trás, os amigos e familiares que ficam longe agora. É legal até comparar essa mudança como um “Quadro em Branco”, você ganha uma nova chance para não borrar as coisas que você fez no outro quadro. Mas como é de prache, começar a pintar o quadro branco exige umas coisinhas de “inicialização” (startup) da vida. Cheguei no Canadá hoje, dia 21 de novembro de 2009, só com 2 malas e 2 bolsas e um amigo me esperando.

Ao chegar no Canadá, notei que tinha esquecido de trazer meu “Job Offer”, que é um dos documentos que usaria em conjunto da “Carta de Autorização” e o visto de trabalho para entrar no país, tomado pelo desespero fiquei pensando em todas as maneiras de pedir desculpas e solicitar maneiras de contornar a situação. Mas no fim, a moça da imigração foi tranquila e só perguntou dados básicos além da Carta e do Visto. Ou seja, não pediu minha oferta de emprego.

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Feito isso, saí do Aeroporto e esperei o Omar que chegou pouco tempo depois para me buscar. Voltamos de ônibus e já deu para sentir o frio que está fazendo nesse começo de inverno: 5ºC. Para quem estava assando em São Paulo, sair na rua 10 horas depois soltando vapor pela boca do frio é bem chocante. Uma escala na casa do Omar para deixar a bagagem e fomos tomar um café da manhã. Comi um muffim com cappuccino para começar-mos a maratona: Criar e contratar todos os serviços básicos possíveis.

Começos indo no Canadian Services tirar meu número do SIN, que seria o similar do PIS no Brasil, apesar de ser do governo o atendimento não durou mais que 10 minutos e já saí com o número oficial na mão (TOMA POUPA TEMPO!) além de ser recebido com um sorriso e ser ultra bem tratado. Próxima parada: Número de Telefone, essencial para ter uma apartamento e ajuda a abrir uma conta no banco. O Omar tem um celular velho e me emprestou então só restava ir na operadora (escolhemos a Bell) para comprar e habilitar meu número. Fomos numa lojinha da Bell mas fomos super MAL atendidos na loja, aquele vendedor era mal treinado com certeza. 50 dólares e 30 minutos depois, saí com o celular funcionando e já tenho meu número fucionando fazendo e recebendo chamadas!

Próxima parada: Almoço. Okay, depois fomos para o banco abrir minha conta bancária, essencial para ter cheque para poder pagar o aluguel. Incrivelmente, em 20 minutos, fomos atendidos super bem, a conta corrente e poupança foi criada (agoro posso receber meu salário a salvo) e PASMEM: Saí com o cartão do banco no bolso para fazer depósito e saque (toma Banco Central!!!).

Foi essa nossa missão. Fica para durante a semana criar a carteira do OHIP (similar ao SUS do Brasil) que é só durante a semana e começar a sondar os apartamentos no prédio do Omar (e próximos, porque não?). E por hora é só! Agora descansar um pouco, mal dormi no vôo e fiz uma via sacra! Vamos ver o que fazemos de interessante amanhã!

Tchau Canadá! (ou será até logo?)

Mistério!

Hoje embarco para voltar ao Brasil! Estou com saudades do Arroz com Feijão e toda aquela coisa, hehe. Claro que tem coisas que não sinto saudades como o metrô cheio, pessoas mal educadas, empurra empurra, esconde esconde (de carteira, IPod, etc) pro ladrão não pegar.

Foi um mês instigante e inspirador, tive meus dias de turista mas o que mais vivi foi um dia-a-dia canadense, pegando metrô, lavando roupa, varri a casa umas vezes, lavei louça, cozinhei, peguei ônibus para ir no supermercado, metrô para visitar colegas de longa data. Viver em um país é diferente de fazer turismo e buscar o “dia-a-dia” foi o objetivo de minha viagem e certamente logrei êxito, pois fiz tudo isso e não deixei de me divertir quando necessário, indo assistir filmes no cinema, camping, visitar pontos turísticos, comprar souvenirs.

Isso tudo temperado pelo calor do verão. As coisas mudam bastante por aqui no inverno que ainda não conheci, a neve vai ficar para depois, agora a pergunta é: Quando?

Por hora, vou curtindo o último por-do-sol de minha viagem. Mas o mundo da voltas, quem sabe eu veja o sol nascer novamente logo.

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